Será Possível Começar um Site Hoje, Sem Investir Praticamente Nada, e Ser Bem Sucedido? Parte 2

Artigo

por Alex Moraes

publicado em: 21/11/2012

Pequenos tombos não foram suficientes para percebermos a necessidade de alternativas para nosso negócio. Aí veio a queda final.

Esta é a parte final desse artigo. Se você ainda não leu a primeira parte, clique para ler Será Possível Começar um Site Hoje, Sem Investir Praticamente Nada, e Ser Bem Sucedido? Parte 1.

Em 2001 veio o primeiro problema sério, o atentado às torres do World Trade Center. Uma pergunta resume tudo: Quem iria querer emigrar para os EUA num momento daqueles? Praticamente um mês antes do período oficial de inscrições (1 mês por ano) o atentado elevou primeiramente o atendimento, algo que é consistentemente subdimensionado em um negócio. Pequenas empresas tendem a desconsiderar ou subestimar o custo e a importância do atendimento. Em nosso caso, como as informações eram abundantes houve apenas aumento em certo tipo de dúvida: "Eu ainda devo ir para os EUA?" Por estar morando lá, todos queriam sabem como estava minha vida, as mudanças, etc. O resultado foi uma queda de 70% nas inscrições. Bem no ano que era para ser nossa grande virada, voltamos praticamente à estaca zero. Mantivemos uma alta visitação, mas a conversão em inscrições, nosso serviço, foi bastante baixa nesse ano. Nossa antecipação em criar múltiplas formas de monetização, com os programas de afiliados, foi o que nos segurou.

É bom esclarecer, para quem trabalha em negócios baseados em conteúdo, que credibilidade é um esforço contínuo, não há jogo ganho.

Para dar uma nova alavancada no negócio desenvolvi mais de 400 páginas de conteúdo, falando tudo sobre a vida nos EUA, as dificuldades, o que fazer, o que evitar fazer, tudo que pudesse ajudar, nós publicávamos. Desconsiderei as diretrizes do webwriting e escrevi textos longos, pessoais, cruelmente sinceros, desestimulando quem não tinha certeza se queria morar em outro país. Recebi alguns emails falando que eu era um mau vendedor, que não estimulava as pessoas e outros tantos (felizmente a maioria) elogiando a sinceridade. Eu já tinha vivido a situação e sabia das dificuldades e que, se não se está preparado para uma mudança radical, é melhor não ir. Criei esse serviço para ser meu negócio, mas não dormiria se, apenas para ganhar dinheiro, criasse problemas para a vida das pessoas. E tudo que eu indicava antes, fiz quando mudei para lá. Indicava Orlando como melhor lugar para a primeira residência e hoje moro em Orlando, o tipo de casa, de carro, de atitude. Faça o que falo, pois faço o que falo. Com qualidade e quantidade de conteúdo e também com meu sorteio, aumentou muito nossa confiabilidade, e pudemos nos dedicar a prestar um serviço cada vez melhor.

Sobre textos longos na web aí vai uma historinha interessante. Uma vez perguntei a um respeitado profissional de marketing digital americano, que fazia uma palestra, quem lia os longos textos das páginas americanas do assunto e quem assistia aqueles anúncios intermináveis de televisão (espere, não compre ainda...). Expliquei as diferenças culturais do Brasil e EUA, etc. A resposta dele foi curta e grossa: "Quem lê? Lê quem interessa, lê quem compra". Se você consegue fazer uma pessoa chegar ao final de um texto longo, a chance de ela vir a ser um cliente seu é bastante elevada. O conteúdo é uma ferramenta de engajamento e conquista.

Você ainda está aí? Que bom...

Em 2002 publicamos o conteúdo que vínhamos produzindo e recebemos um convite para fazer parte do portal iBest, o que aumentou o faturamento com publicidade online, a visitação e também ajudou na nossa credibilidade. Funcionou bem a parceria, a GreenCard.com.br, que sempre fora a maior página brasileira sobre os Estados Unidos, agora era várias vezes maior que a segunda colocada, a página do Terra sobre os Estados Unidos e green cards. O preço de nosso serviço era mais do dobro dos outros serviços, mesmo os americanos, porque íamos muito além, oferecendo atenção e respeito e não economizando em qualidade de serviço e atendimento. O interessante é que, se cada vez tínhamos mais inscritos, a cada ano tínhamos menos sorteados, pois, como a loteria foi ficando mais conhecida no mundo todo, houve um grande aumento do número de participantes, diminuindo as chances de sorteio na mesma proporção. Nada disso afetava nossos números. Em 2002 começamos, também, a usar técnicas de SEO, que eram muito incipientes à época, mas pesquisávamos muito as palavras-chave do assunto e as trabalhávamos bem. Temos primeiros lugares e ótimo posicionamento para algumas palavras-chave até hoje, mesmo o site estando há mais de 7 anos sem ser atualizado.

Os anos de 2003, 2004 e 2005 foram os melhores da GreenCard, em todos os sentidos. Alcançamos 7 milhões de page-views mensais de pico, e mais de 1,5 milhão de visitantes únicos. Em 2005, fizemos nosso maior número de inscrições. Uma curiosidade é que nunca investimos fortemente em links patrocinados, algo possível à época e praticamente impensável para uma startup, hoje. 

Fomos crescendo sem controle, desenvolvíamos processos só quando estes eram indispensáveis.

Aí, em 2006, o ataque foi às bases da GreenCard.com.br. Faltando poucos dias para as inscrições daquele ano ficamos sabendo que brasileiros não poderiam mais participar da loteria de green cards. Nunca nos preparamos para uma mudança de rota tão brusca, praticamente impossível de ser contornada. Nosso faturamento com serviços foi zerado e a visitação caiu 60% quase que imediatamente. E, o pior, milhares de pessoas já tinham pagado pelo serviço de inscrição. Todo o trabalho de inscrição já estava pronto, milhares de cartas (a inscrição era impressa e postada no correio, com confirmação de remessa) estavam prontas e seladas e serviço de confirmação de remessa contratado, todo o investimento fora feito. E tudo foi perdido. Devolvemos todo o dinheiro recebido (menos o de 7 pessoas que nunca conseguimos contato...). O prejuízo foi tamanho que quebramos, a ponto de ter de voltar ao Brasil, eu, de volta para meu emprego público, começando do zero novamente, agora com dívidas em dólares. Ah, e com minha esposa grávida de 7 meses...

Não tínhamos uma rota, íamos para onde o negócio nos levava. Agora, tudo estava perdido, e não tínhamos um plano B. 

O rápido crescimento do negócio e sensação de sucesso levou-nos a uma leitura errada, que nos indicava ser desnecessário ter um plano de negócios. Foi nosso maior erro, fomos crescendo sem controle, desenvolvíamos processos só quando estes eram indispensáveis. Não tínhamos uma rota, íamos para onde o negócio nos levava. Agora, tudo estava perdido, e não tínhamos um plano B. 

Erramos, também, por não desenvolver um sistema. Muitas rotinas manuais faziam com que gastássemos muito tempo na administração e no atendimento. Achávamos que isso mostrava que prezávamos demais os clientes e queríamos dar atendimento pessoal, individual, o que é impossível e contraproducente, a partir de certas quantidades de visitantes. O desgaste da equipe também era exagerado.

O desenvolvimento de um site estruturado, com rotinas sistematizadas e plena automatização é primordial para o sucesso de um negócio online.

Até criamos múltiplas fontes de faturamento, mas, sem os visitantes, que sumiram, pois o site tinha perdido o principal apelo, essa fontes também secaram.

Hoje, para nós um museu online da época romântica da internet, a GreenCard ainda rende algum faturamento via Adsense do Google, funcionando unicamente como um site com monetização baseada em marketing de conteúdo. Podíamos atualizar a página, falar de outros assuntos, como turismo, estudo, compras e voltar à atividade, mas, por agora, deixamos tudo como está, para servir de case de sucesso e queda, e de uma época onde se podia começar sem dinheiro e crescer, somente baseado na oferta de conteúdo de qualidade e na prestação de um serviço de alto nível. 

Hoje não, o sucesso demanda trabalho em muitas frentes e o uso de várias estratégiassistemas de controle, acompanhamento das métricas, emailmídias sociais, e tudo mais que aparecer. 

Pense nisso antes de lançar um site. Se você não quer ser apenas mais um, estude muito, analise as possibilidades e antecipe-se aos problemas. Faça um plano de negócios muito bem feito. Veja o exemplo da MarketingDigital.com.br, com dois anos de desenvolvimento dos sistemas e do conteúdo inicial, depois de mais de 12 anos de estudo. Acho que aprendemos, mas o custo foi muito alto.

Não há espaço para amadorismo em negócios, despreparo e sucesso são mutuamente exclusivos. 

Com a GreenCard aprendemos muito, o suficiente para querer ensinar, a partir de experiências, acertos e principalmente dos erros. O negócio passou por todas as fases, no início por mera curiosidade, o crescimento sem planejamento, o sucesso com números incríveis, e o desfecho inesperado, com um fim forçado. Aprendemos a utilizar diversas estratégias de marketing digital por necessidade, investimos muito em aprendizado e com isso conseguimos recuperar nosso negócio a partir da prestação desses serviços para outras empresas, onde conseguimos sucesso expressivo (leia mais sobre nosso histórico como prestadores de serviço de marketing digital). Agora, menos focados na prestação de serviços e partindo com tudo para a educação, esperamos poder ajudá-lo, para que sua história online seja mais tranquila, embasada em conhecimento e com planos B, C, D...

Quanto à resposta da pergunta do título, sobre a possibilidade de se começar um site nos dias de hoje e ser bem sucedido, sem investir praticamente nada, a resposta é que a chance é praticamente nula. A Internet se tornou, no mundo dos negócios, um ambiente tão ou mais complexo que o mundo “físico”. Estude muito e informe-se sempre ou se prepare para um futuro atribulado, cheio de emoções fortes e nem sempre com um final feliz.

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Alex Moraes é especialista em Marketing Digital, escritor e palestrante. É responsável pelo conteúdo, cursos e eventos da MarketingDigital.com.br, além do canal no Youtube, grupo no LinkedIn, página no Facebook e perfil no Twitter.