Saber Programar ou Ser Técnico Ajuda ou Atrapalha a Criar e/ou Administrar um Negócio Online?

Artigo

por Alex Moraes

publicado em: 04/03/2013

Será que para ter um negócio de internet é necessário ter background técnico, ser programador, analista ou gênio da informática?

Trabalho com internet há 14 anos, tenho uma empresa de tecnologia e marketing digital há 13, e posso garantir que, se eu tiver de publicar um blog do zero, por mais simples que seja, vou ter dificuldade.

Isso significa que a resposta para a pergunta acima é não, mas, ao mesmo tempo que considero que isso me ajuda em alguns pontos, tenho a convicção que prejudica em outros. Ao mesmo tempo que com este artigo pretendo estimular não-técnicos a empreender em áreas de tecnologia, principalmente em negócios online, quero alertar que um mínimo de conhecimento técnico é muito bem-vindo.

Por outro lado, são os técnicos que mais se destacam nas grandes empresas de tecnologia, Mark Zuckerberg do Facebook, Bill Gates da Microsoft, Larry Ellison da Oracle, Larry Page e Sergey Brin do Google entre muitos. A mais conhecida exceção fica com Steve Jobs da Apple, sem formação superior alguma. Em negócios de internet há casos de sucesso em todos os perfis.

Tenho formação incompleta em Estatística e completa em Administração e, dessa formação, uso mais a parte de conhecimento matemático para planejamento, desenvolvimento de algoritmos e regras de negócio. Apesar da base matemática optei por não aprender a programar para fazer diversos de cursos de marketing digital e esse conhecimento, se não é suficiente para gerir uma empresa, é primordial para decisões de negócios digitais. 

Então, pesemos as vantagens e desvantagens de cada situação. Comecemos pensando nas:

Maiores vantagens dos técnicos

  • Ao lidar diretamente com a tecnologia, técnicos têm maior facilidade de perceber oportunidades, corrigir furos e fazer otimizações em programas, ideias e aplicativos já existentes. As dificuldades que os técnicos têm com certos sistemas também servem como fator gerador de novos produtos.
  • Se se der uma mesma atribuição a 10 técnicos diferentes, 10 produtos bastante diversos serão criados. Ninguém, além do próprio desenvolvedor, conseguirá fazer algo exatamente como ele pensa. Para grandes trabalhos, deve-se fazer uma estrutura inicial, para que sua equipe possa entender o espírito da ideia para, a partir daí, ajudar.
  • Costumam ser extremamente bem sucedidos quando conseguem perceber que um produto é bom ou ruim se seus benefícios atendem ou não as necessidades dos clientes. Não basta o produto ser inovador e bem desenvolvido se os clientes não conseguirem perceber as vantagens de seu uso.

Maiores desvantagens do técnicos

  • Achar que ideias excelentes ou produtos bem desenvolvidos se vendem por si sós. Se já existiu venda fácil, hoje, toda venda é uma arte. Certamente, ter um bom produto ajuda muito, mas isso é só o começo, há que se convencer às pessoas que os benefícios que o produto proporciona são suficientes para que elas decidam comprá-lo. Não há produto sem comprador, nem vendedor sem produto para vender.
  • Devido à programação em alto nível ser algo extremamente complexo, técnicos tendem a considerar que esse conhecimento traz algum tipo de superpoder que os tornam também especialistas em design (desenvolvedor-designer devia ser combinação de competências proibida...), vendas, atendimento, marketing, administração, etc. Se uma empresa começar com discrepância ou disputa de importância entre as áreas técnica e administrativa, o fracasso é só uma questão de tempo.
  • Definir o escopo do projeto e o obedecer é uma dificuldade para técnicos. Um sistema para abrir uma porta com controle remoto, deve abrir a porta quando um botão é apertado. Seria ótimo ele abrir a porta e enviar um SMS ao dono avisando a abertura; ter um código que abra a porta, avise a polícia caso você o tenha feito sob ameaça e que registre o código de abertura utilizado para saber quem abriu a porta. Acontece que, por vezes, precisa-se entrar rapidamente no mercado e, se o tempo é fator primordial, basta, inicialmente, que a porta se abra.
Conheça o conceito de Produto Mínimo Viável.

Há um conceito de negócio muito interessante, o MVP – Minimum Viable Product (Produto Mínimo Viável) bem descrito no texto de Yuri Gitahy como “algo a que o cliente dá valor, usando o menor número de recursos, no menor tempo possível”. Para mais tarde deixam-se as versões aprimoradas, apelos para futuras vendas de upgrades, etc. Aconselho a leitura do texto publicado na Exame.com.

Maiores vantagens dos empreendedores não-técnicos

  • Têm maior entendimento das necessidades do negócio, do valor do desenvolvimento, mas também da necessidade de se entender o mercado, da geração de conteúdo, planejamento de marketing e visão 360 do negócio. Normalmente, têm maior facilidade em perguntar aos prospects o que eles gostariam que o produto oferecesse.
  • Procuram cuidar melhor da clientela, por analisar o trabalho pelo ponto de vista do leigo, do usuário. Assim, algo que possa parecer óbvio para o desenvolvedor passa a ser melhor apresentado ao cliente.
  • Definem o passo de crescimento do produto, que estratégias de marketing usar e como acompanhar essas campanhas.

Maiores desvantagens dos empreendedores não-técnicos

  • Têm dificuldade de especificar com exatidão o que desejam dos desenvolvedores e de dimensionar a complexidade e o tempo necessário para o desenvolvimento de certas demandas.
  • Há maior chance de não-técnicos lançarem produtos tecnicamente inconsistentes, por pressa (o conceito MVP pode ser uma faca de dois gumes).
  • Não dão a devida importância à qualidade do desenvolvedor e podem ficar eternamente presos a determinadas pessoas e suas constantes correções e atualizações. Como a maioria dos desenvolvedores tem pânico da ideia de corrigir sistemas de terceiros, a escolha da equipe técnica é extremamente importante. Deve-se, também, optar pela programação modular, para que grupos diferentes possam criar partes específicas do sistema e que cada parte interaja com outros módulos ou com o "programa principal".

A melhor opção, independentemente da formação, é associar-se a profissionais com perfis complementares, a fim de que o conjunto uniformize a importância de cada área e faça o negócio crescer por igual.

Em se tratando de negócios online, deve-se partir de planos de negócio e de marketing digital bem estruturados, de modo que a equipe conheça a ideia global e possa, assim, trabalhar de forma integrada e efetiva. Nos negócios online há maior disponibilidade de produtos ou ferramentas prontas, como blogs e plug-ins, o que pode levar à falsa sensação de o apoio técnico ser dispensável.

Com o crescimento do negócio percebe-se a inaplicabilidade dessa suposição. Negócios de internet demandam, também, profissionais de marketing digital, com perfis não necessariamente técnicos, mas com conhecimento de diferentes estratégias e que devem trabalhar de forma integrada. Leia nosso artigo Quais as Melhores Estratégias de Marketing Digital para o seu Negócio?

Resumindo, o importante é que o empreendedor técnico ou não-técnico tenha o discernimento de perceber a importância do conjunto e da formação de uma equipe diversa e competente. E, para negócios de internet, conhecer marketing digital é totalmente indispensável.

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Alex Moraes é especialista em Marketing Digital, escritor e palestrante. É responsável pelo conteúdo, cursos e eventos da MarketingDigital.com.br, além do canal no Youtube, grupo no LinkedIn, página no Facebook e perfil no Twitter.