A Cobertura do Atentado de Boston, o Twitter e o Marketing Digital

Artigo

por Alex Moraes

publicado em: 22/04/2013

O Twitter vem roubando espaço das mídias tradicionais e anúncios durante a cobertura de grandes eventos. Isto significa que é possível, com o Marketing nas Mídias Sociais, conseguir receber tanta ou mais atenção com 140 caracteres do que com coberturas e anúncios com orçamentos gigantescos. Conheça 2 casos reais.

Já falei em outros posts que moro nos Estados Unidos. Na verdade, divido meu tempo entre Orlando e Brasília, morando lá e trabalhando aqui. Com o projeto da MarketingDigital tenho ficado mais no Brasil. Estou nos EUA no dia dessa publicação e estava aqui quando aconteceu o atentado em Boston. Nos EUA, no Brasil e em qualquer lugar, infelizmente, volta e meia testemunharemos mentes doentias cometer atos em nome de seus deuses, de suas causas ou de sua insanidade. Esses atos causarão dor em inocentes e indignação às pessoas de bem. É importante analisar a incapacidade que alguns têm de conviver com as diferenças, mas acho que isso já vem sendo bastante discutido por pessoas mais bem capacitadas que eu. Que Deus cuide dos que foram, dos familiares que os sobreviveram e de todos nós, fazendo com que nunca percamos a capacidade de nos indignar com esses atos.

Em meio a milhares de repórteres, câmeras, helicópteros, microfones, a notícia mais esperada teve origem em um celular.

Terminada a angústia da busca, um acontecimento chamou minha atenção. Eu estava em um restaurante, quando ouvi alguns “yes” e outras comemorações comuns por aqui. Quase que imediatamente as muitas televisões do lugar passaram a transmitir direto de Boston a notícia da captura do irmão foragido. O que isso tem de diferente? A notícia teve origem em um tweet do Prefeito de Boston, Tom Menino, dizendo apenas: “We got him” (Nós o pegamos). Em meio a milhares de repórteres, câmeras, helicópteros e microfones, a notícia mais esperada teve origem em um celular. Nenhuma transmissão poderia ser mais rápida, pessoal e direta. Depois, vendo um programa em casa, vi que um grupo enorme de estudantes que estava nas ruas da área liberada de Boston, comemorou o tweet recebido como um gol. Não havia televisão, rádio, nenhuma outra fonte de informação e nem era preciso. Nada alcançaria mais rápido os destinatários da mensagem que o celular.

É importante para quem trabalha com marketing digital (e publicidade, mídias tradicionais, comunicação, etc...) perceber os sinais. Seja pela enorme quantidade de fotos e vídeos enviados de celulares por cidadãos comuns para a polícia, para ela tentar perceber alguma atitude suspeita; pelo desligamento quase que imediato do sistema de celulares na região para evitar novas explosões (normalmente detonadas por sinal de celular); ou pelo acompanhamento pelo celular da busca pelo suspeito em uma área de entrada proibida para câmeras e repórteres. Seja pelo seu tamanho, pela portabilidade, pela disseminação ou pela praticidade, o celular se tornou, além de um aparelho de comunicação pessoal, a principal fonte transmissora e receptora de todo tipo de informação.

Algo semelhante aconteceu no Super Bowl, a decisão do campeonato nacional de futebol americano. É a noite com os anúncios mais caros do ano, custando algumas dezenas de milhões de dólares por alguns segundos. Além de o espaço ser caro, os anúncios publicados nos intervalos do jogo costumam ser os mais bem produzidos também. Esse ano, uma coisa interessante aconteceu e foi até mais comentada que os anúncios. Estranhamente, para os padrões americanos, faltou luz no estádio durante o jogo (é, acontece aqui também!). Uma marca de biscoitos chamada Oreo, que tem uns biscoitos de chocolate que eles indicam que sejam mergulhados no leite para ficar mais gostosos, tinha deixado a equipe de prontidão para aproveitar qualquer oportunidade durante o jogo para se comunicar com o público de celulares. A Agência 360i, que cuida da conta da marca, imediatamente publicou um Tweet: "Power out? No problem," (Faltou energia? Sem problemas. ) e um link para uma imagem onde se via a imagem inconfundível do biscoito Oreo e se lia “You Can Still Dunk In The Dark” (Você ainda pode mergulhar no escuro). Entre a ideia, a criação da arte, a autorização e a publicação se passaram poucos minutos. O número de retweets e comentários foi assombroso e virou caso de sucesso mais comentado até que os anúncios.

É o Twitter mostrando ser ferramenta importantíssima de contato com o cliente.

Trata-se do mais puro marketing de guerrilha, descrito por Jay Conrad Levinson, onde se configuram ou reconfiguram estratégias em tempo real, de acordo com a situação. É um ataque-surpresa ao público, buscando interação, visibilidade e mídia espontânea e contando, nos dias de hoje, com a força do compartilhamento. Basicamente é o momento da criação inteligente e rápida, que nivela investimentos e permite que pequenas empresas se sobreponham às grandes. Não foi o caso nesse exemplo, mas poderia ser...

Outra associação interessante que me ocorre diz respeito à cobertura em si. Eu estava nos EUA também no “11 de setembro” e lembro que, por mais de 30 dias após os atentados, toda a programação normal foi abandonada e as estações de TV transmitiam praticamente 24 horas de informações sobre o ocorrido. Com esse ato de Boston aconteceu o mesmo. Imagine todos os canais falando o tempo todo de um só assunto. Como você convence a audiência a assistir ao seu canal? Muitos vídeos públicos e particulares, alguns apelando para o sangue nas imagens foram mostrados, mas também, infográficos, animações, viagens ao Daguestão, entrevistas com ex-colegas de classe e vizinhos, perfis psicológicos feitos por especialistas e muita análise de perfis sociais na internet. Rapidamente foram verificados sinais de radicalismo religioso em posts do irmão mais velho e publicações que poderiam ser indicativas do que estaria por acontecer, pelo mais novo.

Dessa concorrência, alguns aprendizados:

  • Como dissemos no primeiro artigo que publicamos, e que temos como base de nosso conteúdo, Quais as Melhores Estratégias de Marketing Digital para o seu Negócio?, “o método que indicamos é o tudo ao mesmo tempo agora”. Você tem que usar todos os canais e formatos que puder para chegar à sua audiência. A concorrência é enorme e sempre haverá gente preferindo certos meios sobre outros.
  • Você tem que ser rápido. Lembre-se que, tão rápido quanto a publicação são as reações, positivas ou negativas.
  • Vídeo é o formato com maior apelo. Se seu planejamento de marketing digital não inclui vídeo, você estará em desvantagem.
  • Perfis nas redes sociais falam muito de você e, hoje, parecem ter até mais valor do que testemunhos pessoais. Assim, pense antes de publicar qualquer coisa e analise profundamente os perfis das pessoas que o seguem.
  • Arrisque, mas seja responsável na escolha do que e como publicar. Exagero e grosseria podem até impactar em um primeiro momento, mas depois podem gerar indignação.

Por isso tudo é preciso estar pronto. Comente, arrisque, inove. No inusitado pode estar o que faltava para você e/ou seu negócio se destacarem. Celulares e redes sociais estão mudando a forma como nos comunicamos como pessoas e como negócios. Seu negócio tem que descobrir a forma de relacionar com o cliente usando essas ferramentas. No meio de tantas transmissões, sua mensagem precisa se destacar e fazer sentido. Domine essas novas linguagens e o sucesso estará mais próximo, as vezes ao alcance de um tweet.

E você, o que acha? Por favor, comente!

Republicação autorizada pelo autor, sem alterações, com link para http://www.marketingdigital.com.br no formato:

Fonte: Marketing Digital


Alex Moraes é especialista em Marketing Digital, escritor e palestrante. É responsável pelo conteúdo, cursos e eventos da MarketingDigital.com.br, além do canal no Youtube, grupo no LinkedIn, página no Facebook e perfil no Twitter.